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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Primavera

não é qualquer um que me acende
qeu entende a minha pele
não é qualquer um que vale
a queima de minha velas
não é qualquer um que me ilude
happy end, cinderela
não é qualquer um que revela
meu negativo na janela
não é qualquer um que descobre
meu riso na foto amarela
não é qualquer um que flagra
minha pose de fotonovela
não é qualquer um que me cobre
como lençol de flanela
não é qualquer um que me avexa
como se eu fosse donzela
não é qualquer um que me sabe
suavidade de gueixa
não é qualquer um que me deixa
flor aberta
                                  primavera

domingo, 18 de abril de 2010

O meu poema novo

O meu poema novo Não tem novidade
A minha idade
Não é nunca a mesma
O que é bom passa a gente quase nem vê
que é ruim tem passos de lesma


O meu poema novo
Quem dera fosse mesmo um poema
E falasse de amor
E de flores

O meu poema novo
É assim: já velho
Breve
Nasce morrendo sem
Ainda sem ser lido

O meu poema novo?
Ora!
Não leiam
A novidade está nas paginas dos jornais
Quem sabe?
Em meu poema novo
Não cabe!
Não cabe!
Tanto coração partido
E tanta gente na rua
A mulher nua
A dama e seu luxuoso vestido
Não cabem os classificados
Nem os desclassificados
Não cabem horóscopos
Nem a queda do helicóptero
Não cabe o sorteio da sena
(Nunca vi quem tenha ganhado)
Não cabe a cena da novela
Nem a vela para o defunto
Nem tudo junto
Nem separado
O meu poema novo é assim: rasgado

sábado, 6 de fevereiro de 2010

um só dia

não há um só dia

em que não lembro

da luta

das latas dagua na cabeça

os feches de lenha



as cercas

as secas

o roçado os caminhos

os barreiros cavados

os jardins



as gentes

as trempes do fogão de lenha

as pedras para sentar

os dias de terça feira

dia de feira

em oi daua



não há um só dia

em que eu não lembro

setembros secos

corta ventos de cambão de milho



carros de garrafa de agua sanitaria

e baleadeiras

as algarobeiras

as cadeiras de balanço na sala



o radio ligado

a liga sem dinheiro para amarrar

amarrando dinheiro

de carteiras de cigarros



as estradas sem carros

e as gentes nas estradas

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Meio hoje


Hoje estou meio assim
meio sem mim
meio sem tudo

meio mudo
meio tudo
meio nada

hoje estou em casa
na estrada
meio hoje
meio ontem

eu estou meio
cheio de tanto
tudo
tanto nada

eu meio
estou ligado
desligado
e meio

meio amanha
meio nunca mais
meio ainda que vazio
meio mar
mesmo rio

meio seco
mesmo inundado
meio o mesmo
mesmo mudado

achados & perdidos

Para André dias - Poesia é besteira - por Rudá