sábado, 6 de fevereiro de 2010

um só dia

não há um só dia

em que não lembro

da luta

das latas dagua na cabeça

os feches de lenha



as cercas

as secas

o roçado os caminhos

os barreiros cavados

os jardins



as gentes

as trempes do fogão de lenha

as pedras para sentar

os dias de terça feira

dia de feira

em oi daua



não há um só dia

em que eu não lembro

setembros secos

corta ventos de cambão de milho



carros de garrafa de agua sanitaria

e baleadeiras

as algarobeiras

as cadeiras de balanço na sala



o radio ligado

a liga sem dinheiro para amarrar

amarrando dinheiro

de carteiras de cigarros



as estradas sem carros

e as gentes nas estradas

Um comentário:

Blog do Poeta Sandro Pinto disse...

Lindo, Carlos. Memórias duras, mas extremamente belas, descritas com a serenidade daqueles que amam sua identidade. Gostei muitíssimo. Sandro Pinto.